Fim da escala 6x1 pode gerar conta bilionária para prefeituras
Fim da escala 6x1: conta bilionária para prefeituras

O fim da escala de trabalho 6x1 no setor público pode representar um impacto financeiro bilionário para as prefeituras brasileiras. A medida, que reduz a jornada de trabalho de seis dias consecutivos por um de descanso para cinco dias de trabalho por dois de descanso, afeta diretamente os municípios, que estão mais próximos da população e concentram grande parte dos serviços terceirizados.

Impacto financeiro nos municípios

De acordo com estimativas, a mudança na escala de trabalho pode gerar um custo adicional de bilhões de reais para as prefeituras. Isso porque muitos serviços públicos municipais, como limpeza urbana, saúde e educação, são prestados por empresas terceirizadas que adotam a escala 6x1. Com a redução da jornada, será necessário contratar mais funcionários ou pagar horas extras para manter a mesma cobertura de serviços.

Um estudo recente aponta que apenas na área de limpeza urbana, o impacto pode chegar a R$ 1,5 bilhão por ano em todo o país. Já na saúde, o custo adicional pode ultrapassar R$ 2 bilhões anuais. Esses números consideram apenas os serviços terceirizados, sem contar os servidores públicos efetivos, que também podem ser afetados pela medida.

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Desafios para as prefeituras

As prefeituras, especialmente as de médio e pequeno porte, enfrentam dificuldades para absorver esses custos extras. Muitas já operam com orçamentos apertados e dependem de repasses federais e estaduais. O fim da escala 6x1 pode agravar a situação financeira dos municípios, levando a cortes em outras áreas ou aumento de impostos.

Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a medida pode inviabilizar a prestação de serviços essenciais se não houver compensação financeira por parte da União. “As prefeituras não têm como arcar com esse custo sozinhas. É preciso um debate amplo sobre o financiamento dessas mudanças”, afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Setor público versus setor privado

Enquanto no setor privado a escala 6x1 já é alvo de críticas e discussões sobre sua extinção, no setor público o impacto é ainda mais complexo. Diferentemente das empresas privadas, que podem repassar custos aos preços, os serviços públicos são financiados por impostos e têm limitações orçamentárias. Além disso, a terceirização de serviços públicos torna a conta mais alta, já que as empresas contratadas precisam ajustar seus contratos.

Especialistas alertam que a transição para a escala 5x2 no setor público deve ser gradual e acompanhada de estudos de impacto financeiro. “Não se pode simplesmente mudar a escala sem considerar os custos envolvidos. É necessário planejamento e, possivelmente, aumento de recursos”, destacou o economista José Márcio Camargo.

Próximos passos

A proposta de fim da escala 6x1 tramita no Congresso Nacional e tem gerado debates entre governistas e oposição. Enquanto defensores argumentam que a medida melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, críticos apontam os altos custos para o setor público. A expectativa é que o assunto seja discutido em audiências públicas nos próximos meses, com participação de prefeitos, sindicatos e especialistas.

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