As buscas pelo jovem Tiago Gomes Pereira, de 20 anos, que desapareceu no domingo (21) após sair para um passeio de bicicleta no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho (SP), entraram no segundo dia nesta terça-feira (23). Uma força-tarefa composta por bombeiros, policiais militares e brigadistas atua na região da Cascata Grande, cachoeira com 124 metros de queda livre, a maior do estado de São Paulo.
Último registro e trajeto
A última imagem do jovem foi publicada na manhã de domingo em suas redes sociais. Na foto, Tiago aparece ao lado de um grupo de amigos e de um guia local, vestindo blusa preta, óculos de grau e uma bolsa lateral. A imagem foi tirada durante a primeira ida ao parque naquele dia.
Segundo as irmãs do jovem, Patrícia e Milena Gomes Pereira, o domingo foi marcado por duas visitas à reserva ambiental. Tiago saiu da chácara onde a família mora, próxima a Pedregulho, por volta das 8h, pegou carona até o parque e fez uma trilha com o guia e amigos. Por volta das 11h40, ele retornou para casa, mas decidiu voltar ao parque sem esperar o almoço. Pegou dois pães, disse que não precisaria de água porque beberia nos córregos, arrumou uma mochila, vestiu calça, blusa, boné, coturno, pegou uma pochete e a bicicleta.
Mensagens trocadas com amigos por volta do meio-dia indicavam que o destino seria a Cascata Grande. “Ele não era muito de usar a bicicleta para fazer ciclismo. Pegou essa bicicleta mesmo e foi para o parque”, disse Patrícia ao g1.
Rotina e sinal de alerta
O interesse de Tiago pelo ecoturismo havia se intensificado recentemente. Trabalhando como conferente de mercadoria em uma fábrica de manhã até o fim da tarde, ele tinha apenas os finais de semana livres. Costumava fazer trilhas curtas de bicicleta pelas lavouras de café da região, com duração máxima de duas horas. No entanto, o encanto pelo Parque Estadual Furnas do Bom Jesus mudou sua rotina.
“Ele estava indo todo domingo fazer serviço comunitário, que é limpar as cachoeiras, ir até os pés das quedas d'água e fazer a limpeza. Às vezes ia de manhã, outras vezes à tarde. Ele sempre gostou muito, mas depois que começou a ir nesse passeio, foi tendo ainda mais curiosidade de buscar matas para entrar. E ele saía mais em dia de sábado, dia de domingo, mas ele não demorava muito. Ele sempre saía e voltava. Coisa de uma hora e meia, duas horas, no máximo três horinhas já estava de volta”, explicou Milena ao g1.
O sinal de alerta acendeu no fim da tarde de domingo. O ciclista costumava retornar para casa no máximo até as 18h. Como Tiago tem o hábito de sempre avisar sobre qualquer imprevisto, a falta de comunicação e o celular desligado preocuparam a família, que acionou a Polícia Militar. “A gente percebeu que tinha alguma coisa errada, porque o Tiago sempre que tem algum imprevisto, ele avisa. Sempre foi assim”, destacou Patrícia.
Força-tarefa e posicionamento do parque
Desde segunda-feira (22), uma operação de resgate foi montada na região da Cascata Grande e em trilhas. Participam dos trabalhos oficiais do parque, brigadistas, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Civil Municipal de Rifaina (SP). As equipes utilizam drones com sensor de calor para mapear áreas de difícil acesso e de mata fechada. As autoridades também solicitaram a quebra de sigilo telefônico para tentar rastrear a última antena que captou o sinal do aparelho celular do rapaz, para delimitar com mais precisão o perímetro das buscas.
Em nota enviada ao g1, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), confirmou que Tiago participou da Trilha da Cascata Grande na manhã de domingo com o acompanhamento de um monitor credenciado, concluindo a atividade normalmente e deixando o local. No entanto, em relação à segunda ida ao local relatada pelos familiares, o órgão destacou que “não há registro de novo ingresso do visitante nas áreas de visitação da unidade após a saída”.
A Fundação Florestal reforçou ainda que a visitação aos atrativos naturais segue normas rígidas de segurança. O acesso às trilhas exige, quando aplicável, acompanhamento de guias e obediência aos horários de funcionamento. Segundo o órgão, a entrada sem autorização em ambientes naturais configura infração ambiental.



