Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim depende de aprovação e certificação
Guerra de Espadas: aprovação e certificação são exigidas

A tradicional Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim, norte da Bahia, ainda depende da aprovação do local escolhido e da certificação dos artefatos para ocorrer de forma regularizada neste ano. A informação foi confirmada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que acompanha os preparativos para a manifestação cultural.

Requisitos essenciais

Segundo o MP-BA, existe uma área em fase de vistoria e adequação para receber o evento. No entanto, a Guerra de Espadas só poderá acontecer se dois requisitos forem atendidos: a aprovação do espaço pelos órgãos competentes e a certificação das espadas utilizadas. A expectativa é que os festejos ocorram dentro das regras do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em dezembro de 2025, com artefatos certificados e local autorizado.

Acompanhamento e segurança

O MP-BA informou que acompanha a temática com órgãos de segurança pública, a Prefeitura de Senhor do Bonfim, o Corpo de Bombeiros e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA). O objetivo é conciliar a preservação da manifestação cultural com a segurança dos participantes e da população.

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Acordo exclusivo

Senhor do Bonfim é o único dos 417 municípios baianos com um acordo formal com o MP para permitir a Guerra de Espadas mediante exigências de segurança. O TAC foi assinado em dezembro de 2025 pelo MP-BA, pela Prefeitura e pela Associação Cultural dos Espadeiros, autorizando a retomada da tradição a partir de 2026, desde que critérios técnicos sejam cumpridos.

Entre as medidas está a realização em um "espadódromo", local isolado e distante de hospitais, escolas, residências e postos de combustíveis. O espaço deve ter iluminação de emergência, rotas de fuga sinalizadas, brigadistas, pontos de primeiros socorros e estrutura médica. Apenas espadas produzidas conforme normas técnicas do Exército Brasileiro poderão ser usadas, com Certificado de Registro (CR) do fabricante e vistoria prévia. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 20 mil para a prefeitura e a associação.

Acidentes com fogos preocupam

Dados da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) mostram que, entre 18 e 25 de junho de 2025, foram registradas 72 ocorrências relacionadas aos festejos juninos em unidades de saúde do estado. Destas, 24 foram por queimaduras de fogos ou fogueiras, e 48 por explosões de bombas. O número é superior ao mesmo período de 2024, quando houve 66 ocorrências.

O maior volume de atendimentos foi no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, com 53 pacientes. Outros 12 foram no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, e os demais nos hospitais de Juazeiro, Jequié e Barreiras.

Orientações para queimaduras

  • Procurar unidades especializadas em queimados, como HGE (Salvador), Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, Hospital do Oeste (Barreiras) e Hospital Regional de Juazeiro.
  • Esfriar o local com água corrente por vários minutos.
  • Evitar tocar na queimadura, aplicar gelo, furar bolhas ou descolar tecidos grudados.
  • Não colocar substâncias como manteiga ou creme dental.

Tradição versus ilegalidade

A Guerra de Espadas divide opiniões na Bahia. Durante as festas juninas, ruas viram "campos de batalha" com espadeiros acendendo fogos e simulando combates. O artefato é uma variação mais potente dos buscapés, feito de bambu, pólvora e limalha de ferro. Desde 2017, fabricar, possuir e soltar as espadas é crime, com pena de até seis anos de prisão. No entanto, adeptos e moradores são contra a suspensão.

O Corpo de Bombeiros alerta para o perigo da produção artesanal, muitas vezes em locais improvisados. A Associação Cultural de Espadeiros de Senhor do Bonfim estima que cerca de sete mil pessoas participem anualmente. A tradição começou na década de 1930, era familiar nos anos 1940, fascinou o público nos anos 1960-70 e tornou-se espetáculo nos anos 1980.

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Cidades com forte tradição: Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu, Muritiba, Cachoeira, Nazaré, Muniz Ferreira, São Felipe, São Félix, Castro Alves, Campo Formoso. Em Salvador, ocorre no subúrbio, especialmente em Periperi na véspera de São Pedro (28 de junho), mas a PM atua para dispersar e prender espadeiros. Participantes usam roupas jeans, capacetes, luvas e óculos para se proteger, e moradores colocam papelões nos portões.

Cronologia da proibição

  • 2003: Estatuto do Desarmamento baseia proibição no Artigo 16 (posse ilegal de arma de fogo).
  • 2015: MP-BA expede recomendações restritivas.
  • 2017: Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determina proibição.
  • 2018: MP recomenda a Senhor do Bonfim não promover ou cooperar com a soltura.