Rio Negro pode atingir 12,90 m e igualar maior seca histórica em Manaus
Rio Negro pode igualar maior seca histórica em Manaus

O Rio Negro pode registrar uma das menores cotas já observadas em Manaus durante o período de vazante, segundo projeção do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O órgão alerta para risco de seca severa caso se repitam condições semelhantes às de anos recentes de estiagem extrema.

Projeções baseadas em 122 anos de medições

Os cenários foram elaborados com base no histórico de medições do rio entre 1903 e 2025. A estimativa, divulgada na última sexta-feira (26), considera a cota máxima alcançada durante a cheia e diferentes padrões de descida já registrados ao longo da série histórica.

No cenário mais crítico, o Rio Negro poderia atingir 12,90 metros, nível próximo aos observados nas maiores secas da história de Manaus. As menores cotas registradas na capital foram de 12,66 metros em 2024, 12,70 metros em 2023 e 13,63 metros em 2010.

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Outros cenários possíveis

Outras projeções indicam que o rio pode chegar a 13,96 metros em caso de estiagem severa ou a 14,76 metros caso a vazante siga comportamento semelhante ao registrado em 2015, considerado um ano crítico.

Segundo o SGB, o alerta ocorre porque a curva inicial de descida do Rio Negro apresenta características parecidas com as observadas em 2023, quando foi registrada a segunda menor cota da história da capital amazonense. Apesar disso, os modelos climáticos mais recentes ainda não indicam uma estiagem extrema nos mesmos padrões daquele ano.

Influência do El Niño

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, avalia que há risco de uma queda rápida dos níveis dos rios nos próximos meses, especialmente se houver influência do fenômeno El Niño.

"O start do evento (El Niño) no início do segundo semestre pode trazer uma queda dos níveis do rio de uma forma bem acentuada e rápida. Esse é o problema", afirmou.

O El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador. O fenômeno altera os padrões climáticos e pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, favorecendo períodos de seca mais intensos.

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