A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, lançou nesta sexta-feira (26) o projeto Sal da Terra, durante cerimônia na sede da Embrapa Semiárido, em Petrolina, Sertão de Pernambuco. A iniciativa, viabilizada pelo programa Água Doce do Governo Federal, tem como objetivo promover tecnologias para o enfrentamento à seca e otimizar o uso da água salobra na agricultura e na pecuária.
Agricultura biossalina como solução
O projeto visa ampliar o aproveitamento produtivo das águas salobras disponíveis no semiárido por meio da agricultura biossalina. Esse modelo reúne tecnologias e sistemas capazes de utilizar o recurso nas produções agrícola, pecuária, aquícola e florestal. “Mais de oitenta por cento de tudo o que a gente come no Brasil vem da agricultura familiar. Estamos falando de economia circular, de rejeitos da dessalinização que vão ser reutilizados para poder ajudar na atividade da agropecuária. É a pesquisa e o desenvolvimento que vão corroborar com as famílias, com a agricultura familiar, a ciência enfrentando a desigualdade regional, trazendo investimentos para o nordeste”, afirmou a ministra.
Duas frentes de atuação
O projeto tem duas frentes de atuação. A primeira é voltada à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias, abrangendo estudos com plantas alimentícias e forrageiras tolerantes à salinidade, produção de microalgas e aproveitamento do concentrado salino na alimentação animal, além do monitoramento da qualidade da água e do solo.
A segunda frente contempla atividades de transferência de tecnologia para as comunidades rurais, incluindo capacitação de agricultores e técnicos, além da implantação de áreas demonstrativas. Entre as tecnologias aplicadas estão a criação de tilápias e o cultivo da erva-sal, uma espécie adaptada a ambientes salinos com potencial forrageiro.
Investimento e abrangência
Em Pernambuco, a iniciativa prevê a implantação de áreas experimentais de agricultura biossalina no campo da Embrapa Semiárido, que servirão de base para pesquisas, validação de tecnologias e capacitação voltada ao aproveitamento produtivo de águas salobras na região. O projeto é coordenado pela Embrapa e financiado pelo programa Águas para o Semiárido, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com execução ao longo de três anos. A previsão é mobilizar cerca de R$ 20 milhões em ações nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.
O evento de lançamento também contou com a presença da diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Margarida Castro Euler, além de pesquisadores, técnicos, lideranças comunitárias e representantes de instituições parceiras.



