Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), em parceria com uma empresa privada, iniciarão testes com uma tecnologia que torna mosquitos Aedes aegypti inférteis. O objetivo é reduzir a população do inseto transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.
Como funciona o método de esterilização
As larvas do mosquito recebem um banho químico sem resíduos, que não prejudica o meio ambiente, animais ou pessoas. O processo gera mosquitos machos que vivem normalmente, mas não conseguem se reproduzir. Os ovos são recolhidos em armadilhas e os machos esterilizados são soltos na natureza. Eles copulam com as fêmeas, mas os ovos não geram novos filhotes.
O pesquisador Alan Kardec, do Iepa, explica que o método é aplicado apenas em machos, já que eles não precisam de sangue humano para se alimentar. “O mosquito macho não pica e não precisa de sangue para sobreviver. Mesmo solto no campo, não causa risco à população. Ele copula com a fêmea, mas, por estar estéril, os ovos não geram larvas”, disse Kardec.
Resultados comprovados no Paraná
Segundo os pesquisadores, em até quatro semanas já é possível observar redução gradativa da população de mosquitos. Após um mês, a queda na infestação é significativa. A tecnologia já foi usada no Paraná, onde reduziu em 95% a população de mosquitos Aedes aegypti.
A diretora técnica Lisiane Pôncio afirma que o Amapá foi escolhido por ser referência em casos de dengue e malária. “O Amapá concentra casos de dengue e malária. A ideia é trazer essa solução, que já mostrou eficiência, para reduzir o impacto das doenças. Queremos que o estado adote o método como forma de controle natural de vetores”, disse Lisiane.
Próximos passos
Nos próximos dias, o Iepa, a empresa privada e a Secretaria de Saúde do Amapá (Sesa) devem se reunir para alinhar estratégias e definir os próximos passos do estudo. A expectativa é que o método seja integrado às políticas públicas de combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.



