Tiago Pitthan, que emocionou o país ao organizar o próprio 'velório em vida' após receber o diagnóstico de um câncer terminal, morreu neste domingo (5), aos 47 anos, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A cerimônia, realizada no dia 30 de maio como uma celebração da vida, reuniu familiares, amigos e centenas de pessoas que acompanharam sua história.
Diagnóstico e decisão de enfrentar a morte de frente
Diagnosticado com um câncer agressivo no estômago, Tiago decidiu falar abertamente sobre a doença desde o início do tratamento. “Desde o início da minha doença, as pessoas evitam falar comigo: câncer, morte, velório. Eu faço questão de usar essas três palavras. Quando elas não têm nome, elas assombram a gente, e eu não quero ser assombrado por nada disso. Então, falo mesmo. Eu tenho câncer, eu vou morrer”, disse.
Os primeiros sintomas apareceram durante o réveillon de 2024. Inicialmente, a expectativa era de que ele passasse por uma cirurgia, mas, durante o procedimento, os médicos constataram que o câncer já havia se espalhado. Após o diagnóstico, Tiago passou a fazer quimioterapia e imunoterapia para tentar conter o avanço da doença. No fim de 2025, porém, o quadro se agravou, levando-o a refletir sobre como queria viver o tempo que lhe restava.
O 'velório em vida' como celebração
Foi dessa reflexão que nasceu a ideia de realizar um 'velório em vida'. O evento aconteceu em 30 de maio e foi planejado como uma celebração, sem clima de luto. A programação começou com uma roda de samba e, à medida que a notícia se espalhou, a lista de convidados cresceu até se tornar aberta a quem quisesse participar.
A iniciativa também mobilizou a família. A mãe de Tiago, Mabel Schueler, contou que precisou de tempo para assimilar a proposta. “Para mim é difícil, é. Vou no velório do meu filho vivo”, afirmou. Para Tiago, a cerimônia representava uma oportunidade de celebrar o presente e compartilhar momentos com as pessoas que amava, em vez de esperar pelas homenagens após sua morte.
Filosofia de vida e legado
“Eu falei: beleza, pera, eu vou morrer, mas não estou morto. Eu entendi que o tempo é um dos bens mais preciosos que a gente tem. Eu tenho aproveitado ele melhor, eu tenho usado ele mais com as pessoas”, disse. Ao explicar como encarava a fase final da doença, ele resumiu a filosofia que marcou sua trajetória nos últimos meses: 'Muitas pessoas me perguntam: Tiago, como é estar morrendo? Eu respondo: eu não sei. Eu estou vivendo e, quando eu morrer, eu morri, mas até lá, eu estou vivendo, não estou morrendo', concluiu Tiago.
O caso repercutiu nacionalmente e inspirou muitas pessoas a refletirem sobre a finitude e a importância de viver cada momento com intensidade. A história de Tiago Pitthan permanece como um exemplo de coragem e amor à vida.



