O estudante Felipe Gebra Pasquini, de 20 anos, faleceu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante uma aula na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados, Mato Grosso do Sul. O incidente ocorreu na manhã do dia 15 de maio, no Bloco C da Unidade II da instituição.
Primeiros socorros
De acordo com relatos de alunos, os primeiros atendimentos foram realizados ainda em sala de aula por estudantes de medicina que estavam próximos ao local. Eles prestaram socorro até a chegada da equipe da Divisão de Saúde Comunitária e Estudantil (Disce). A UFGD informou que a equipe de enfermagem foi acionada por volta das 9h por um estudante que relatou um desmaio em sala de aula. Os profissionais iniciaram os procedimentos de suporte básico de vida. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou cerca de 15 minutos depois. Felipe foi levado ao Hospital da Vida, mas morreu por volta das 11h.
Causa da morte
A família do jovem confirmou que a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Segundo nota do Centro Acadêmico de Engenharia de Energia “Mária Telkes”, baseada em laudo médico e informações da família, a parada foi causada por um infarto agudo do miocárdio associado a uma má-formação coronariana que não havia sido identificada em exames de rotina. Felipe cursava Engenharia de Energia na UFGD desde 2024.
Reivindicações dos estudantes
Após a morte do jovem, os alunos passaram a cobrar da instituição uma estrutura permanente de atendimento médico de emergência dentro da Cidade Universitária. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFGD realizou assembleia na sexta-feira (22) para discutir melhorias na infraestrutura de socorro no campus. Estudantes afirmam que houve dificuldade para acionar o Samu devido à falta de sinal de telefonia móvel dentro da Cidade Universitária. O problema foi incluído na pauta de reivindicações aprovada na assembleia, que reuniu estudantes da UFGD e da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
Principais pedidos
- Criação de uma equipe médica de plantão no campus;
- Ambulância permanente na Unidade II;
- Implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) próxima à Cidade Universitária;
- Treinamento permanente de primeiros socorros para a comunidade acadêmica;
- Mais equipamentos para atendimento de emergência.
Segundo os alunos, a estrutura atual da Disce conta com cinco enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem, um auxiliar de enfermagem e três psicólogas. Não há médicos nem ambulância de plantão no campus. Em nota aprovada na assembleia, os estudantes afirmaram que as medidas adotadas pela universidade após outra morte registrada em 2014 “chegaram ao teto de eficácia”.
Comissão criada pela reitoria
A reitoria da UFGD criou uma comissão para analisar as condições de atendimento a emergências na Unidade II e propor medidas para ampliar a estrutura de saúde no campus. O grupo tem representantes da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Proae), da Disce, do Hospital Universitário, da Faculdade de Ciências da Saúde, da Faculdade de Engenharia e do DCE. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 30 dias. O g1 questionou a assessoria da universidade sobre as reivindicações dos estudantes, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



