Internações por síndromes respiratórias crescem 202% em Ribeirão Preto
Internações por síndromes respiratórias sobem 202%

As internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, registraram um aumento de 202% entre janeiro e abril deste ano, conforme dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde. O balanço aponta 403 casos no período, com 21 mortes confirmadas. Desses pacientes, 88 são crianças.

Crescimento mês a mês

Em janeiro, foram 49 registros. Em fevereiro, o número subiu para 64. A partir de março, os casos saltaram para 108, e abril fechou com 148 internações. Até o dia 10 de maio, já haviam sido registradas 34 ocorrências graves.

Sinais de alerta

O médico infectologista Lucas Agra explica que quadros simples de gripe e resfriado podem evoluir rapidamente para SRAG, especialmente em grupos vulneráveis. O principal sinal de alerta é a dificuldade para respirar. "A SRAG é caracterizada pela dispneia, a falta de ar. Na maioria das vezes, são doenças simples, mas em pessoas mais vulneráveis, com doenças de base ou não vacinadas, a síndrome viral pode evoluir para a forma grave", alerta.

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Com a chegada do outono e inverno, o ambiente favorece a proliferação de vírus. "Ficamos mais aglomerados, com portas fechadas, e o vírus circula com mais força. Muito provavelmente, ainda veremos mais casos nas próximas semanas", completa o infectologista.

Evolução rápida: o caso de Gabriel

Gabriel Gonzalez, de seis meses, passou 11 dias internado após contrair o vírus Influenza, que evoluiu para um quadro agudo. Sua mãe, Tawane Gonzalez, relata que os sintomas começaram leves, mas se agravaram rapidamente. "Os primeiros sinais foram nariz escorrendo, tosse seca e febre de 38°C a 39°C. No terceiro dia de febre, levei à UPA. Em dois ou três dias, ele já estava muito ruim. Dava para ver o cansaço na barriguinha dele. Fiquei muito assustada", conta.

Vírus circulantes e baixa vacinação

Segundo a Vigilância Epidemiológica, o vírus Influenza A é o principal responsável pelos quadros graves, respondendo por 35% das internações. Em seguida, vêm Rinovírus (18,9%), Covid-19 (17,8%) e Vírus Sincicial Respiratório (12,4%). Também há registros de Influenza B (7,1%), Metapneumovírus e Adenovírus.

Luzia Marcia Romanholi Passos, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, alerta que a procura pela vacina contra a gripe está muito baixa. "A cobertura vacinal é menor que 40% para idosos e menor que 20% para crianças. As vacinas protegem individual e coletivamente", destaca.

Onde se vacinar

A vacina contra a gripe está disponível gratuitamente para toda a população a partir dos 6 meses de idade. O imunizante protege contra os vírus H1N1, H3N2 e Influenza B. Para se vacinar, basta comparecer a uma das 39 salas de vacina de Ribeirão Preto com documento pessoal e carteira de vacinação. A lista completa das unidades está no site da prefeitura.

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