O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira, 21, a incorporação de uma nova estratégia para o rastreamento precoce do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se do Teste Imunoquímico Fecal (FIT), um exame não invasivo que identifica a doença antes do aparecimento dos sintomas. A medida pode ampliar o acesso ao diagnóstico para mais de 40 milhões de brasileiros.
Como funciona o FIT
O FIT é uma evolução do exame de sangue oculto nas fezes. Utilizando anticorpos específicos, o teste detecta a presença de sangue que pode estar associado a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal, com uma capacidade de detecção de até 92%. Diferentemente dos métodos antigos, o FIT sofre menos interferência alimentar e gera menos resultados falsos positivos.
O novo protocolo do SUS prevê o FIT como exame de referência para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. O teste pode ser realizado em casa, com um kit de coleta entregue ao paciente. Após a coleta, o material é enviado para análise laboratorial. Se houver detecção de sangue oculto, o paciente é encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia, que é o padrão-ouro para o diagnóstico.
Importância da detecção precoce
O câncer colorretal tem se tornado uma preocupação global, especialmente entre adultos jovens. Estudos indicam que, em comparação com a década de 1950, o risco de desenvolver a doença no intestino grosso dobrou, e o risco de câncer no reto quadruplicou entre os jovens. A detecção precoce é essencial para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos invasivos.
Segundo a médica coloproctologista Ana Sarah Portilho, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, o FIT é uma ferramenta simples, barata e de fácil realização. “Ele permite ampliar o rastreamento de forma eficiente, identificando quem realmente precisa da colonoscopia, evitando exames desnecessários, reduzindo filas e otimizando os recursos do sistema público”, afirma.
Prevenção e fatores de risco
Embora o histórico familiar seja um fator relevante, o câncer colorretal está fortemente associado a hábitos evitáveis, como tabagismo, consumo excessivo de carnes processadas, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. A prática de atividades físicas, uma alimentação rica em fibras e alimentos in natura, e a eliminação do cigarro são medidas preventivas importantes.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para cada ano do triênio 2026-2028, o Brasil registrará cerca de 53,8 mil novos casos da doença. A incorporação do FIT no SUS representa um avanço significativo na luta contra o câncer colorretal, permitindo diagnósticos mais precoces e salvando vidas.



