O uso da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) triplicou no Distrito Federal desde 2023, superando a meta nacional de cobertura estabelecida pelo Ministério da Saúde. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, até fevereiro deste ano, 7.646 pessoas iniciaram o uso da PrEP na capital. Esse avanço está diretamente relacionado à ampliação do acesso aos medicamentos preventivos, hoje disponíveis em 26 unidades de saúde da rede pública do DF.
O que é a PrEP?
A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é uma estratégia de prevenção em que pessoas que não vivem com HIV tomam medicamentos antirretrovirais para reduzir significativamente o risco de infecção em relações sexuais. A meta nacional do Ministério da Saúde estabelece que os estados devem manter ao menos três pessoas em uso da PrEP para cada novo caso de HIV.
Depoimento de ativista
Há duas décadas, a ativista Vicky Tavares acompanha de perto a transformação no enfrentamento ao HIV. Em 2006, ela fundou a ONG Vida Positiva, que atende pessoas que vivem com o vírus. O envolvimento com a causa começou após a morte de um grande amigo, vítima da Aids, ainda nos anos 1990. “Foi na década de 90, muito difícil porque o HIV era sentença de morte”, relembra Vicky. Hoje, o cenário é outro. O tratamento avançou, ficou mais simples e mais acessível. Pessoas com maior risco de infecção pelo HIV podem utilizar a PrEP, um protocolo preventivo que reduz significativamente as chances de contaminação. "A PrEP é muito importante. Claro, tem que ter os cuidados médicos, mas ela veio, realmente, para revolucionar", destaca Vicky.
Como funciona a PrEP
Segundo a médica Camila Damasceno, referência técnica em medicina da família, a PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais, prévios à infecção, que impedem que o vírus se estabeleça no organismo. "O tratamento pode ser utilizado por pessoas a partir dos 15 anos de idade, pesando no mínimo 35 kg. E não podem já ter a infecção (HIV) e nem doença renal crônica", destaca Camila.
Oferta na rede pública
No Distrito Federal, os medicamentos começaram a ser ofertados na rede pública em 2018, inicialmente apenas em hospitais de referência e policlínicas. A partir de 2024, o serviço foi ampliado para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), facilitando o acesso da população. Atualmente, a PrEP está disponível nas unidades de saúde da rede pública nas seguintes regiões: Asa Sul, Asa Norte, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, São Sebastião, Gama, Santa Maria, Cruzeiro Novo, Lago Sul, Águas Claras, Recanto das Emas, Taguatinga, Candangolândia, Estrutural, Guará, Ceilândia, Sol Nascente e Brazlândia.
Os medicamentos são gratuitos e, segundo estudos, não apresentam efeitos colaterais graves. Em alguns casos, o efeito preventivo ocorre em poucas horas. Em outros, especialmente entre mulheres e pessoas que fazem uso de hormônios, a imunidade pode levar até sete dias para se estabelecer a partir do início da medicação.
Cuidados complementares
Apesar dos avanços no combate ao HIV, especialistas reforçam que a PrEP não substitui outros cuidados de saúde, como o uso de preservativos e o diagnóstico de outras infecções sexualmente transmissíveis.



