O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi submetido a dois procedimentos médicos na manhã desta sexta-feira (24) no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O chefe do Executivo retirou uma lesão de pele localizada no couro cabeludo e também realizou uma infiltração no punho para tratar uma tendinite no polegar da mão direita.
De acordo com o médico Roberto Kalil Filho, ambos os procedimentos transcorreram sem qualquer intercorrência. A expectativa é de que Lula receba alta ainda nesta sexta-feira, após algumas horas de observação, e retorne para sua residência.
Detalhes sobre a lesão de pele
Em coletiva de imprensa, Kalil explicou que a lesão removida é do tipo mais comum no mundo e permanece localizada, não havendo risco de disseminação para outras partes do corpo. "O que pode acontecer é ficar aparecendo feridinha, feridinha, que ele já estava acompanhando há algum tempo", esclareceu o médico.
Kalil ressaltou que a condição "não significa mau prognóstico" e que basta realizar acompanhamento regular. A dermatologista Cristina Abdala complementou: "No dia a dia, essa lesão é muito comum no consultório dermatológico. As pessoas seguem a vida. Isso está relacionado à exposição crônica ao Sol e não tem uma implicância maior".
Chegada e agenda
O presidente chegou ao hospital por volta das 7h10, acompanhado da primeira-dama, Janja. Conforme apurado pela reportagem, Lula havia chegado a São Paulo na noite de quinta-feira (23), por volta das 20h20, e seguiu para casa para descansar. A previsão do governo é que ele passe o final de semana na capital paulista.
Compromissos oficiais que estavam agendados para esta sexta-feira em Presidente Prudente (SP) e Andradina (SP) foram adiados para segunda-feira (27). No entanto, há expectativa de que Lula retorne a Brasília no domingo (26) para participar de um congresso do Partido dos Trabalhadores.
Procedimento anterior e detalhes da cauterização
Em fevereiro, Lula já havia realizado um procedimento simples de cauterização para tratar uma queratose (ou ceratose), que é um espessamento da camada de queratina mais superficial da pele. O novo procedimento foi realizado no mesmo local e durou pouco mais de um minuto.
A dermatologista Maria Augusta Maciel, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explicou que a queratose é um termo amplo usado para descrever alterações na pele com distúrbio no processo de queratinização, ou seja, na forma como as células da epiderme produzem e organizam a queratina.
Tipos de cauterização
O presidente da SBD, Carlos Barcaui, detalhou os métodos de cauterização:
- Cauterização com bisturi elétrico (eletrocauterização): realizada com anestesia local, com lidocaína.
- Cauterização química: mais usada em lesões finas e superficiais. Aplica-se ácido na lesão, que fica branca, forma casca e cai sozinha.
- Criocirurgia: congelamento da lesão com nitrogênio líquido em spray, formando uma bolha que, ao se descolar, remove o epitélio.
Além da cauterização, o tratamento clínico pode incluir cremes, laser ou cirurgia convencional. O procedimento é rápido, dura poucos minutos, não exige internação e permite que o paciente retome suas atividades no mesmo dia.



