Dia do Churrasco: açougueiros revelam como cortes nobres ganham espaço
Dia do Churrasco: cortes nobres viram tendência entre jovens

No Dia do Churrasco, comemorado em 24 de abril, açougueiros do Mercado Público de Porto Alegre explicam como peças de carne antes rejeitadas se transformaram em cortes nobres e disputados. Cortes tradicionais como vazio, costela e picanha seguem entre os preferidos dos gaúchos, mas os cortes nobres vêm conquistando espaço, especialmente entre os mais jovens.

Reinvenção dos cortes

Cortes que antes não tinham saída se reinventaram e hoje ocupam a parte alta da prateleira. É o caso da cabeça da ripa da chuleta, antes rejeitada, que agora é um item desejado sob a denominação de prime rib. Rafael Sartori, sócio-administrador da Casa de Carnes Santo Ângelo, relata: “Era um corte que ficava sobrando bastante. Tinha que fazer promoção, e mesmo assim o pessoal não levava. A gente começou a fornecer o tal do corte prime rib e hoje em dia é o contrário: tenho mais vazão para onde seria a cabeça da ripa pegando o meio do entrecot que vira o prime rib”. Segundo ele, os cortes nobres já representam 40% das vendas do açougue.

Da paleta, é possível extrair cortes como o shoulder ou o flat iron. A maçã do peito vira brisket. Da chuleta, sai um short rib. Da agulha sem osso pode-se tirar o denver ou o cowboy. Da costela, saem os assados de tira.

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Preços elevados

Com os cortes especiais, vem também o aumento de preços. O açougueiro João Batista, da San Remo Carnes, explica: “Como ele está com osso, é um valor. Sem osso, aumenta o preço. Na média, dobra de valor”. A paleta sem osso é vendida por R$ 40,90 o quilo, enquanto o corte shoulder pode chegar a R$ 89,90. A maçã do peito com osso é comercializada por R$ 28,90; sem osso, vai para R$ 39,90, enquanto o corte brisket pode chegar a R$ 79,90. O mesmo ocorre em outros exemplos. Rafael Sartori complementa: “A paleta sem osso dá o shoulder e o flat iron. Hoje, o flat iron é um corte que a gente comercializa a R$ 100 o quilo e está sempre faltando. A agulha sem osso sai por R$ 39,00 o quilo, enquanto o Denver a gente vende a R$ 99 o quilo”.

Preferências por faixa etária

Churrasqueiros experientes preferem carnes tradicionais, enquanto jovens assadores miram cortes nobres. João Batista afirma: “O pessoal está pegando cortes mais nobres, pagando mais. Tem um pouco da internet também, que está chamando mais gente nova. A gurizada quer fazer algo mais nobre, é um pouquinho do ‘gourmet’. Os mais antigos vão querer fazer uma janela (da costela), um vazio e deu”. Rafael Sartori concorda: “Os '50+' até experimentam, têm a curiosidade, mas foram educados pelo pai numa era sem internet. Ainda possuíam os hábitos antigos: uma carne no espeto, cortes como maminha, picanha, costela”. Ele complementa: “Acreditamos que a ascensão dos cortes nobres hoje vem do fato de que a gente ensinou o que era carne de qualidade há 10 anos. E daqui a 10 anos só vem aumentar mais a procura por esses cortes”.

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