O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia no ombro direito na manhã desta sexta-feira, 1º de maio, no Hospital DF Star, em Brasília. O procedimento, realizado para reparar o manguito rotador, grupo de músculos e tendões que estabiliza a articulação, transcorreu sem intercorrências, conforme boletim médico divulgado pela unidade de saúde.
Detalhes do procedimento
De acordo com o informe, Bolsonaro passou por uma cirurgia de reparo artroscópico, técnica minimamente invasiva que utiliza câmera e pequenos instrumentos inseridos por incisões reduzidas. O ex-presidente está internado em unidade de internação para controle de dor e observação clínica. O boletim não informa previsão de alta.
O documento foi assinado pelo ortopedista e cirurgião de ombro Alexandre Firmino Paniago, pelo cirurgião-geral Claudio Birolini, pelos cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, e pelo diretor-geral Allisson B. Barcelos Borges.
Autorização judicial
Condenado a 27 anos e três meses de prisão, Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março, após se recuperar de uma broncopneumonia por aspiração. No mês passado, seus advogados solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para a cirurgia, incluindo todas as etapas: preparatórios, pré-operatório, internação, procedimento, pós-operatório e reabilitação.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu a autorização na quinta-feira, 30 de abril. Segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a cirurgia teria duração prevista de três horas.
O que é o manguito rotador
O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e tendões que envolve a cabeça do úmero, o maior osso dos membros superiores. Sua função é estabilizar e fixar o ombro, permitindo movimentos como elevar o braço, girá-lo para dentro e para fora, além de estabilizar a articulação durante atividades cotidianas e esportivas.
Segundo a médica do esporte e ortopedista Ana Paula Simões, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, as lesões podem variar de quadros leves, com inflamações e pequenas rupturas parciais, até casos graves com rupturas completas dos tendões. Nos casos leves, há dor e limitação de movimentos; nos graves, dor intensa, fraqueza para elevar o braço e perda significativa da função. Sem tratamento adequado, a lesão pode progredir e comprometer cartilagem e osso, tornando a cirurgia mais complexa.
Recuperação e reabilitação
A cirurgia artroscópica envolve a fixação do tendão rompido ao osso por meio de âncoras, pequenos parafusos bioabsorvíveis ou de titânio, que suturam o tendão de volta à sua inserção original. Dependendo da extensão da lesão, podem ser necessárias duas, três ou mais âncoras. Em casos de ruptura muito extensa e antiga, pode ser necessário o uso de enxertos biológicos, embora isso seja menos comum.
O processo de recuperação exige imobilização do braço com tipoia por quatro a seis semanas, seguida de fisioterapia. A recuperação funcional completa leva, em média, de quatro a seis meses, dependendo do tamanho da lesão e da resposta individual. A adesão à reabilitação é tão importante quanto a cirurgia em si.



