A Democracia Cristã (DC), partido nanico sem representantes no Congresso, enfrenta uma crise interna profunda após o anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), à Presidência da República. A decisão, tomada pelo presidente nacional da legenda, João Caldas, sem consulta prévia, gerou atritos com o então pré-candidato Aldo Rebelo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, e com diversos dirigentes partidários.
Surpresa e reação de Aldo Rebelo
A notícia pegou muitos de surpresa, especialmente Aldo Rebelo, que desde janeiro era o presidenciável oficial do DC. A troca foi comunicada por Caldas sem discussão com Rebelo, que mantém sua agenda de campanha e ameaça recorrer à Justiça. “Minha candidatura é um contrato registrado pela palavra. Se necessário, levaremos a questão à Justiça”, afirmou Rebelo. Em resposta, a executiva nacional abriu processo para expulsá-lo do partido. Caldas justificou: “Aldo não pontua nas pesquisas, está inviabilizado, e a decisão de trocar é minha como presidente.”
Insatisfação de dirigentes
Diversos dirigentes da DC também não foram avisados e criticaram a mudança. Paulo Cesar Quartiero, ex-vice-governador de Roraima e presidente estadual, declarou: “Joaquim Barbosa representa o que mais detestamos: a esquerda e o Supremo. Estamos com Aldo e não abrimos.” Quartiero chamou Barbosa de “vigarista” e “traidor” e, após ser bloqueado dos grupos online do partido, retirou sua pré-candidatura ao governo de Roraima. Outro cacique, Cândido Vaccarezza, ex-deputado federal e chefe da seção paulista, classificou Barbosa como “inapoiável” e o acusou de inaugurar o lawfare no Brasil.
Posição de João Caldas
Caldas defende a escolha, afirmando que Barbosa tem apoio unânime e o compara a “nosso Neymar”. Anunciou que Quartiero será removido do comando em Roraima por suas “falas indelicadas”. Até o momento, Joaquim Barbosa não confirmou sua candidatura nem comentou a crise. Procurado, não retornou os pedidos de entrevista.



