El Tigre: ultraliberalismo e mão de ferro na Colômbia
El Tigre: ultraliberalismo e mão de ferro na Colômbia

El Tigre: a ascensão de Abelardo de la Espriella na política colombiana

Faltando uma semana para o primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, marcado para 31 de maio, um nome inesperado agita o cenário político: Abelardo de la Espriella, conhecido como 'El Tigre'. O advogado criminalista de 47 anos, que vivia entre Miami e a Itália, abandonou a vida empresarial para se lançar como candidato de extrema direita, capitalizando o descontentamento com o presidente Gustavo Petro e o aumento da criminalidade.

Sem uma estrutura partidária tradicional, De la Espriella cresceu nas redes sociais alimentando o 'antipetrismo'. Enquanto Iván Cepeda, candidato de Petro, lidera com 35% a 37% das intenções de voto, 'El Tigre' disputa voto a voto a vaga no segundo turno com Paloma Valencia, herdeira do ex-presidente Álvaro Uribe, ambos com cerca de 20%. A diferença está no estilo: Valencia representa a direita institucional uribista, enquanto De la Espriella personifica uma extrema direita populista e midiática.

Inspirações em Milei e Bukele

O candidato se inspira em líderes da direita radical que triunfaram na América Latina: o enxugamento estatal do argentino Javier Milei e a 'guerra' às gangues do salvadorenho Nayib Bukele, de quem copia o boné. Ele se apresenta como um outsider que luta contra a velha elite política corrupta. Seu programa de governo, intitulado 'treze milagres para salvar o país', inclui os seguintes pilares:

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Choque de gestão e ultraliberalismo

Assim como Milei, De la Espriella defende cortes drásticos nos gastos públicos e liberdade econômica, posicionando-se como antídoto ao intervencionismo estatal de Petro.

Segurança 'mão de ferro'

Inspirado em Bukele, promete endurecer a guerra contra o crime organizado e as guerrilhas, sem se preocupar com críticas sobre direitos humanos. Em comícios, afirma que irá 'fumigar as plantações de coca e bombardear os vilarejos' controlados por grupos armados.

Batalha espiritual e conservadorismo

De la Espriella passou por uma metamorfose pública, deixando o perfil neoliberal ateu para adotar um discurso de 'batalha moral e espiritual'. Diz que o 'mal reside na Casa de Nariño' e defende pautas conservadoras, como restrições severas ao aborto.

Pragmatismo polêmico

Uma de suas propostas mais controversas é legalizar 10% do dinheiro do narcotráfico, mineração ilegal e outros crimes, como forma de reinjetar recursos na economia formal.

Alinhamento com Trump

Como Milei e Bukele, é um entusiasta apoiador de Donald Trump e defende aliança estreita com os Estados Unidos. Recebeu apoio público da deputada americana María Elvira Salazar, que vê nele a chance de recuperar a relação diplomática abalada por Petro, que criticou ações americanas como a Operação Lança do Sul, que já deixou quase 200 mortos desde setembro de 2025.

A pergunta que ecoa na Colômbia é se o rugido do outsider será forte o suficiente para levar a direita radical ao poder.

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