O tradicional Hotel Colombo, localizado em Araxá, no Alto Paranaíba, foi finalmente vendido por R$ 2.665.250, encerrando anos de incertezas sobre o destino do imóvel histórico. De acordo com a Prefeitura Municipal, o valor será quitado em 100 parcelas mensais. O complexo foi arrematado por compradores da própria cidade, embora seus nomes ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
Fechado e abandonado desde 2015, o prédio centenário é um dos mais emblemáticos da região. O hotel carrega histórias marcadas por períodos de luxo, decadência e até lendas sobrenaturais. Quem passa pelo local já percebe movimentações: serviços de limpeza e preparação do espaço para as futuras obras já começaram.
Detalhes da venda e próximos passos
Segundo o controlador e auditor-geral de Araxá, Bruno Borges Almeida, os novos proprietários são moradores da cidade, o que foi recebido com entusiasmo pela administração municipal. “É muito bom ver o local sendo limpo e preparado para as obras que estão por vir. As tratativas já estão sendo feitas. São pessoas de Araxá que compraram, o que nos deixa felizes por essa sensação de pertencimento”, afirmou.
O Hotel Colombo é tombado como patrimônio histórico pela Constituição de Minas Gerais. Por isso, qualquer mudança na estrutura do imóvel precisará de autorização prévia do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). “Assim que forem finalizados os processos licitatórios, nós iremos encaminhar a posse para eles. O complexo é tombado, então qualquer alteração precisa de autorização do Iepha. O pagamento foi dividido em 100 vezes e o município emitirá os documentos de arrecadação anualmente”, explicou Bruno.
Segundo a Prefeitura, os compradores realizam um levantamento técnico para identificar quais intervenções serão necessárias no imóvel. Somente após essa análise será definido o planejamento das obras e o futuro do Hotel Colombo.
História e importância cultural
Construído em 1929 pelo imigrante italiano Luiz Colombo, o Hotel Colombo funcionou durante 83 anos e recebeu figuras ilustres como o presidente Getúlio Vargas, o governador de Minas Gerais Benedito Valadares, Juscelino Kubitschek e até o inventor Santos Dumont, conforme relatou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo, Italo Marcus Fonseca Borges.
Com uma história marcada por tradição e hospitalidade, a estrutura hoteleira se tornou um dos marcos mais emblemáticos da cidade. A arquitetura imponente e o charme acolhedor dos tempos antigos encantaram gerações, tornando o prédio um local de memórias afetivas e encontros importantes ao longo das décadas. “A minha gestão foi voltada principalmente para o turismo familiar, porque o que tínhamos para oferecer era um bem-estar para a família com muita proeza”, relembrou Adriana Colombo, neta do fundador do hotel.
Em 2012, o prédio foi adquirido pela Prefeitura de Araxá e chegou a funcionar como sede do gabinete do prefeito e de algumas secretarias. Porém, um incêndio tornou o prédio inativo em 2015, deixando as estruturas abaladas e fazendo com que ele fosse interditado.
Lendas e relatos sobrenaturais
Cercado por casas, o antigo Colombo é palco de relatos curiosos em Araxá: uma misteriosa mulher de branco que caminha pelos telhados e gritos estrondosos que ecoam pelos corredores são histórias frequentemente contadas por moradores da região, que dão a fama de mal-assombrado ao hotel. Mas apesar das histórias que circulam de geração em geração, há quem duvide dos relatos e enxergue tudo como fruto da imaginação popular. “Isso é crença popular que cai na graça do povo. Não existe nenhum fato que tenha determinado isso, nenhum evento ocorreu. Nada disso”, afirmou Italo Marcus.
Por outro lado, quem já trabalhou no antigo estabelecimento garante que sim, existe um mundo espiritual no Hotel Colombo. Aos 50 anos, Ana Cláudia Silva relembra os anos em que passou como coordenadora do hotel: em meio às diversas alegrias que ela afirma ter passado ali, ela também possui muitas histórias para contar. “Nós tínhamos um gestor, o Walter Ogawa, que quando tomou a direção do hotel se deparou com muitas energias e por isso ele fez um estudo espiritual do hotel e chegou a conclusão de que o Hotel Colombo é uma escola espiritual de 6 andares pelo menos”, contou.
Ainda segundo Ana, a análise espiritual feita no hotel mostrou que ele tem, ao todo, 17 espíritos residentes. “O pessoal da cozinha dizia que ali existia o espírito de um menino que morreu de meningite e ficou ali vagando. Vários relatos diziam que após o encerramento da cozinha, os trabalhadores viam panelas sendo lançadas, colheres voando, caçarolas se mexerem e por aí vai.”
Dentre as histórias que marcam quem viveu no local, uma delas chama a atenção: a de uma mulher loira, bonita e que ainda hoje aparece nas redondezas do Colombo. “Da mulher de branco eu sei que ela era loira e se vestia como acompanhante de uma senhora que viajava sozinha para se hospedar no hotel. Em uma dessas viagens, a mulher faleceu no hotel. Após a morte, funcionários enrolaram ela em panos brancos. O espírito dela vagou muitos anos ali e eu tenho relatos de rapazes que se hospedaram no hotel e disseram que chegaram a beber com uma mulher loira, bonita mas que nunca voltavam a encontrar”, relembrou.
Quando já não achava que veria algum dos espíritos relatados por seus colegas do hotel, Ana relembra que em uma noite próxima do natal teve a sua primeira e única experiência 'assombrada' no Colombo. “Certa vez eu estava montando um painel para uma festa dos funcionários e quando eu fui instalar, como estava escuro, eu resolvi ligar o pisca pisca para passar um clima natalino. Foi quando apareceu um vulto de quase 1,80 de altura, um homem negro, a sensação que eu tive era de que ele era um escravo, forte, bonito. Foi a primeira vez que eu vi algo. Eu já havia me deparado com algo assim mas eu já estava preparada. Rezei para que se fosse um espírito bom que ele ficasse, se não, para que fosse embora.”
Ainda hoje Ana acredita que Araxá possui uma energia espiritual forte. Segundo ela, nos estudos realizados pelo antigo gestor do hotel, a região do Barreiro possui um portal espiritual de 9 portas e, por isso, é rodeado de histórias sobrenaturais. “Quando nosso gestor tentou catalogar esses espíritos que viviam nas redondezas, para além dos que ficavam dentro do hotel, ele não teve uma experiência muito legal. O recado era um só: os espíritos não queriam ser incomodados”, finalizou.



