Dia Nacional do Café: produtores do DF compartilham desafios e dicas para um café de qualidade
Dia do Café: produtores do DF dão dicas e falam de desafios

Dia Nacional do Café: a história e a produção no Distrito Federal

Tudo começou por volta de 1720, quando o brasileiro sargento-mor Francisco de Melo Palheta visitou a Guiana Francesa e trouxe as primeiras mudas e sementes para o Brasil. Desde então, o grão se tornou paixão nacional e, neste domingo (24), celebramos o Dia Nacional do Café. Até 2024, o DF dedicou cerca de 440 hectares ao cultivo de café, reunindo mais de 100 produtores, segundo a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

Ao g1, o produtor Juliano Coacci explica o que é essencial para produzir uma boa bebida e quais são os desafios dos pequenos produtores do DF. Já o barista profissional Daniel Viana dá dicas para preparar um café de qualidade em casa.

Como é produzir café no DF?

Para o produtor Juliano Coacci, o preparo do solo é fundamental para uma boa produção. Junto com o sócio e engenheiro agrônomo Felipe Brige, Juliano produz café na Chácara Passárgada, no DF. O grão produzido pela dupla ganhou o primeiro lugar no Prêmio Café do Cerrado Central de 2025. Juliano e Felipe começaram vendendo para amigos, entregando pessoalmente. A marca foi divulgada e mais pessoas queriam conhecer o produto. "Hoje continuamos com essa prática, entregando o café pessoalmente. Então, podemos dizer que nossos clientes são, antes de clientes, amigos", diz.

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Cuidados essenciais na produção

Segundo Juliano, para começar a produção é preciso escolher bem a área e analisar a fertilidade e adubação do solo. "A escolha da cultiva também é fundamental para não ter frustração lá na frente, ciclos diferentes, espaçamento. Vale ressaltar a importância de se adquirir mudas vigorosas e livre de doenças proveniente de viveiros certificados", fala Juliano. Depois é preciso plantar e cuidar da colheita, selecionando os frutos maduros e retirando os imaturos. O cuidado na pós-colheita também é essencial, separando e manejando corretamente o café durante a secagem.

Juliano explica que o solo e o clima influenciam diretamente a qualidade e o sabor do café. "A interação entre a genética e o ambiente, assim como as técnicas de manejo, refletem no que o consumidor vai perceber na xícara", diz. Ele explica que outro aspecto importante do clima do DF, e que acredita ser uma vantagem, é o fato de a colheita coincidir com a estiagem. "Aproveitamos essas características para aplicar a tecnologia do estresse hídrico, desenvolvida pela Embrapa Cerrados, que consiste em interromper totalmente a irrigação durante um determinado período da seca para sincronizar a florada, o que pode resultar em uma maturação mais uniforme durante a colheita", explica.

Sobre as dificuldades de ser um produtor do grão no DF, Juliano diz que, como pequenos produtores, a etapa de beneficiamento é a mais desafiadora. "O maquinário necessário é caro para adquirir, então muitas vezes precisamos terceirizar esses serviços, o que acaba tendo um custo alto para a nossa realidade", conta. Outra dificuldade é evitar qualquer erro na produção, que pode comprometer a qualidade do produto final. "O desafio não é apenas produzir um café de qualidade, mas conseguir manter esse padrão de forma consistente, mesmo com uma estrutura limitada", fala.

Dicas para preparar um bom café em casa

O g1 conversou com Daniel Viana, barista profissional há 17 anos e atuante no Distrito Federal, e reuniu dicas para preparar um bom café em casa:

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  • Utilize um grão de qualidade: não adianta se preocupar com o método ou equipamentos se não tiver um bom café.
  • Utilize sempre água filtrada: o cloro presente na água da torneira é um grande inimigo do café.
  • Não tenha medo de ferver a água: a temperatura é importante; se não tiver uma chaleira com controle, deixe ferver até formar bolhas maiores e desligue o fogo.
  • Tenha medidas para fazer seu café: profissionalmente, usa-se balança para referência. Sem balança, use copos medidores e ajuste a receita ao seu gosto.
  • Se puder, utilize café moído na hora: isso eleva a qualidade. Se não tiver moedor, compre o grão o mais fresco possível, verificando a data de fabricação.

Segundo Daniel, o erro mais comum é fazer café em excesso. "Um erro muito comum aqui no Brasil é fazer café demais, guardar na garrafa térmica e, no fim do dia, jogar o resto fora. Imagina você compra no mercado pelo preço, mas acaba jogando metade fora. No fim das contas, está pagando preço especial em café tradicional", fala.

Daniel destaca que a principal dica é não ter medo de experimentar. "O café é uma bebida com uma diversidade enorme de sabores, aromas e origens, e muita gente acaba ficando presa a um único tipo a vida toda. Procure experimentar cafés de categorias mais valorizadas, como gourmet e especial, eles abrem um mundo novo de sensações. O mais importante é sentir prazer ao degustar, independentemente da qualidade, mas é muito interessante ter a experiência de provar cafés melhores e diferentes. Cada xícara pode ser uma descoberta", fala.

Para o barista, a bebida é especial porque está presente no nosso dia a dia, nos acompanhando em todos os momentos, seja em negócios, trabalho ou diversão. "Faz parte da nossa cultura e do desenvolvimento do nosso país, somos o maior produtor mundial de café. É uma bebida que conecta o Brasil com sua própria história, e cada xícara carrega um pouco disso. Deveria ser mais valorizada como um símbolo nacional", diz Daniel.