Vice-prefeito de Lages bate em caminhão ao fugir de prisão por violência doméstica
Vice-prefeito de Lages foge e bate em caminhão na BR-116

O vice-prefeito de Lages, Jair Junior (sem partido), está hospitalizado após colidir frontalmente com um caminhão na BR-116, na noite de quinta-feira (21), enquanto tentava fugir do cumprimento de um mandado de prisão. O acidente ocorreu horas depois de ele ser condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição contra uma ex-namorada. A sentença também determinou a perda do mandato.

Antecedentes de polêmicas

Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025, Jair Junior se envolveu em uma série de controvérsias. Ele é réu em dois processos, incluindo o de violência doméstica que motivou a prisão. Em 22 de março de 2025, foi preso em flagrante suspeito de agredir a ex-companheira, mas foi solto após audiência de custódia e pagamento de fiança. No dia seguinte, pediu afastamento do cargo para se dedicar à defesa.

Em 23 de março, outra ex-namorada de 26 anos registrou boletim de ocorrência por ameaças, afirmando que o relacionamento terminou em 2022 e que ela vinha sendo perseguida desde então. Em 31 de março, a Câmara de Vereadores de Lages aprovou a abertura de impeachment, mas uma liminar suspendeu o processo em 2 de abril. Em 16 de abril, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) tornou Jair Junior réu na ação penal por violência doméstica. Em 22 de abril, ele foi expulso do Podemos por unanimidade devido às suspeitas.

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Em maio de 2025, Jair passou a responder por dano ao patrimônio público, acusado de fixar um prego no pneu do carro oficial usado pela prefeita Carmen Zanotto (Republicanos). Em 11 de julho, o impeachment foi declarado nulo pela Justiça, que entendeu que a ação se baseou em um decreto-lei federal aplicável apenas a prefeitos. Em janeiro de 2026, o MPSC o denunciou formalmente por dano ao patrimônio público.

Condenação e acidente

Em 21 de maio de 2026, Jair Junior foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão pelos crimes contra a ex-namorada, com perda do mandato. Imediatamente após a sentença, ele tentou fugir quando agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) foram cumprir o mandado de prisão. Na fuga, bateu de frente com um caminhão na BR-116, sofrendo lesões graves. Ele foi internado em estado grave.

O que acontece agora?

O advogado de defesa, Guilherme Ramos, afirmou que recorrerá da decisão sobre a perda do mandato. Segundo o especialista em Direito Eleitoral Paulo Fretta Moreira, a lei prevê que o cargo de vice-prefeito fique vago, sem substituição automática. Em caso de ausência ou afastamento da prefeita Carmen Zanotto, a linha sucessória passa ao presidente da Câmara de Vereadores de Lages, Maurício Batalha Machado (Podemos).

Detalhes da denúncia do MP

De acordo com a denúncia do MPSC, Jair Junior cometeu uma série de agressões e perseguições contra a ex-companheira após o término do relacionamento. O primeiro episódio ocorreu em janeiro de 2025, quando ele apertou os braços e o rosto da mulher por ela se recusar a publicar uma foto do casal nas redes sociais. Em março do mesmo ano, na véspera da prisão em flagrante, ele a convenceu a entrar no carro sob pretexto de reconciliação, mas a levou à força até sua casa. Lá, trancou portas e janelas para impedir pedidos de socorro e tentou acessar o celular dela em busca de mensagens. Diante da recusa em fornecer a senha, deu tapas no rosto da vítima e pressionou um travesseiro contra sua cabeça. A vítima só foi liberada após prometer que não registraria ocorrência, mas depois, incentivada pela irmã, procurou a polícia.

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