Justiça do Paraná reduz pena de homem que ateou fogo na companheira
Redução de pena para agressor que ateou fogo em companheira

Decisão judicial altera acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal grave

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), onde o ex-juiz Sergio Moro já atuou, acolheu pedido da defesa de José Rodrigo Bandura e modificou a tipificação penal do crime pelo qual ele responde. O réu, atualmente preso, é acusado de atear fogo em sua companheira em junho de 2025. Inicialmente enquadrado como tentativa de homicídio, o caso foi reclassificado para lesão corporal grave.

Impacto da reclassificação

A lesão corporal grave, diferentemente da tentativa de homicídio, não é considerada crime hediondo. Com isso, o processo passou a ser julgado pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A pena máxima, que poderia chegar a 20 anos em caso de homicídio tentado, agora é de até cinco anos. A decisão foi assinada pelos desembargadores Miguel Kfouri Neto, Mauro Bley Pereira Junior e Rotoli de Macedo.

Justificativa da defesa

A defesa argumentou que houve arrependimento eficaz, pois Bandura teria prestado socorro à vítima após a agressão. No entanto, reportagens da época do crime indicam que a mulher precisou se trancar em um banheiro para escapar de novas agressões.

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Reação do Ministério Público

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) informou que estuda a possibilidade de recorrer da decisão, aguardando análise técnica e o prazo recursal. O MP também se posicionou contra o pedido de liberdade feito pela defesa de Bandura, que foi negado pela Justiça paranaense.

Histórico de violência

O agressor já respondeu a oito processos por violência doméstica, todos arquivados. Em 2019, foi condenado a pouco mais de três meses de regime semiaberto e ao pagamento de R$ 2 mil de indenização por agressões físicas.

Contexto nacional

O feminicídio é crime hediondo desde 2015. A violência contra a mulher é alvo de campanhas como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, que completou 100 dias esta semana. No Congresso, tramita o PL 896/2023, que criminaliza a misoginia, com pena de dois a cinco anos de prisão e multa. O projeto foi aprovado no Senado em março, com 67 votos a favor e nenhum contra, em substitutivo da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ao projeto original da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA).

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