Delegacia de Cravinhos tem situação crítica, diz promotor
Delegacia de Cravinhos em situação crítica

O promotor de Justiça Marco Antônio Custódio classificou as condições do prédio que abriga a Delegacia de Polícia de Cravinhos, interior de São Paulo, como o caso mais dramático que já encontrou em sua carreira. Durante a inspeção que resultou no pedido de interdição da unidade, na sexta-feira (22), ele afirmou que a situação se tornou tão grave que o imóvel sequer poderia ser considerado uma delegacia.

Condições insalubres e perigosas

Segundo Custódio, os servidores estão expostos a condições perigosas e insalubres. "Todas as salas têm marcas de infiltração, cheiro de mofo generalizado, o ar é ruim de respirar, há marcas de estruturação totalmente destruídas e rachaduras. Os computadores dos funcionários têm capas para proteção contra chuva, para não danificar os aparelhos. É uma situação inacreditável", declarou.

A situação afeta tanto os trabalhadores quanto a população atendida. "Os servidores já estão em uma situação completamente caótica, sem condição de trabalhar, e ainda assim precisam prestar atendimento à população. A população chega aqui e sua vontade é sair correndo", completou o promotor.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Problemas estruturais

O Ministério Público apontou dezenas de problemas, incluindo janelas sem vidro, bancos quebrados, fiação e tijolos expostos, porão abandonado e material acumulado. A Vigilância Sanitária também realizou inspeção e constatou situação insalubre.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Delegacia de Cravinhos passa por avaliações técnicas para viabilizar melhorias, mas não estabeleceu prazo para o início das obras.

Histórico do prédio

Antes de abrigar a delegacia, o imóvel, localizado no Jardim Paulista, funcionou como cadeia no final da década de 1940. Em março do ano passado, a EPTV já havia mostrado problemas na estrutura. Na ocasião, a SSP foi procurada sobre projetos de revitalização, mas não respondeu. Após 14 meses, novas imagens mostram infiltrações, pintura descascando, ar-condicionado e assoalho quebrados, e forro com risco de queda. As celas se tornaram depósitos de materiais diversos.

Recomendação do MP

O promotor expediu recomendação administrativa para que, em 30 dias, a SSP, a Delegacia Seccional de Ribeirão Preto e o governo do estado apresentem um projeto para retirada do serviço do local. "Uma coisa é a reforma do prédio, que pode ser discutida depois, mas, do ponto de vista imediato, temos que tirar todos os servidores e a população que busca apoio aqui", concluiu Custódio.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar