Bilhetes encontrados em presídio levaram à prisão de Deolane Bezerra por ligação com PCC
Bilhetes em presídio levaram à prisão de Deolane Bezerra

Bilhetes manuscritos encontrados na Penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo, deram origem à operação que resultou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, na última quinta-feira (21). De acordo com a Polícia Civil paulista, a ostentação exibida por Deolane nas redes sociais — carros de luxo, viagens internacionais e uma imagem pública de sucesso — teria criado um cenário fértil para ocultar recursos do crime organizado, especificamente do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Investigação aponta uso de imagem pública para lavagem de dinheiro

O relatório policial sustenta que a exposição e o padrão de vida milionário de Deolane serviram como blindagem para movimentações financeiras suspeitas. A influenciadora, segundo os investigadores, emprestou toda sua estrutura financeira e respeitabilidade social para integrar valores ilícitos ao sistema financeiro legal. A investigação, que já dura sete anos, mira integrantes da cúpula do PCC, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção.

Como funcionava o esquema

A polícia afirma que Deolane atuava como uma espécie de caixa da organização, recebendo valores em contas pessoais e empresariais, misturando-os com receitas legais e devolvendo quantias ao grupo criminoso para dificultar o rastreamento do dinheiro. O documento destaca que a imagem de profissional de sucesso e a ostentação financeira justificariam a movimentação de vultosos valores, criando um cenário propício para dissimular a origem ilícita dos recursos.

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Opinião de especialistas

O advogado tributarista Marcelo John, do escritório Benedito Torres Advogados, considera a tese plausível sob a perspectiva tributária e financeira. Ele explica que o mercado de publicidade com influenciadores é volátil, dificultando estabelecer parâmetros seguros para campanhas, o que permite que contratos sejam usados para mascarar transações indevidas. Já o criminalista Felipe Carrijo pondera que, embora a aparência de normalidade seja um mecanismo de lavagem de dinheiro, fama e ostentação não são indicativos de crime, sendo necessárias provas concretas.

Defesa nega acusações

A defesa de Deolane Bezerra nega todas as acusações, afirmando que ela não integra organização criminosa nem praticou lavagem de dinheiro.

Entenda a investigação

A apuração começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes e referências a ações violentas. A partir daí, os investigadores mapearam a estrutura financeira da facção, chegando a uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro.

Ligação com Marcola

O principal elo entre Deolane e Marcola seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe do PCC, que mora em Madri, na Espanha. A polícia afirma que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora usada no esquema. Além de Marcola e Paloma, também foram alvos da operação Everton de Souza (Player), Alejandro Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Prisão preventiva

A Justiça decretou prisão preventiva por risco de fuga, já que Deolane retornou ao Brasil na véspera da operação após semanas na Europa. Integrantes da família de Marcola haviam deixado o país durante as investigações, e o nome de Deolane foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Outras investigações

Esta é a segunda prisão de Deolane em menos de dois anos. Em 2025, ela foi alvo de investigação em Pernambuco sobre lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online, com investimentos de mais de R$ 65 milhões em carros e imóveis de luxo.

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Papel central no PCC

O relatório policial classifica Deolane como integrante do PCC, com papel central na estrutura financeira da facção, embora ela não tenha sido formalmente batizada na organização. A influenciadora ganhou projeção nacional após a morte do marido, MC Kevin, em 2021, e acumula mais de 21 milhões de seguidores no Instagram. O filho adotivo, Giliard Vidal dos Santos (Chefinho), também foi alvo de busca e apreensão.