PF investiga suspeita de gestão fraudulenta no BRB com foco em compra de ações por envolvidos no caso Master
PF investiga gestão fraudulenta no BRB ligada ao caso Master

PF abre inquérito para investigar suspeita de gestão fraudulenta no Banco de Brasília

A Polícia Federal deu início a um novo inquérito para apurar indícios de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). Esta investigação se soma a outro inquérito já em andamento, relacionado ao caso Master, que também envolve a instituição financeira.

Auditoria externa revela novas informações

A auditoria externa foi iniciada em 2 de dezembro de 2025, a pedido da nova diretoria do BRB, que assumiu após a exoneração do então presidente Paulo Henrique Costa. As primeiras conclusões foram encaminhadas nesta terça-feira, 3 de dezembro, pelo atual presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O BRB já havia enviado o mesmo relatório ao Banco Central na segunda-feira, 2 de dezembro, e à Polícia Federal na semana anterior. Os documentos apontam para uma descoberta significativa: Daniel Vorcaro, dono do Master; Maurício Quadrado, ex-sócio do Master; e João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, adquiriram ações do BRB como pessoas físicas, tornando-se acionistas do banco.

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Detalhes sobre a compra de ações

Esses investidores são classificados como acionistas sem relevância, pois não possuem poder de voto, mas cada um detém até 5% das ações do BRB. A aquisição teria ocorrido durante a gestão anterior, de Paulo Henrique Costa, que foi afastado judicialmente da presidência do banco no mesmo dia da liquidação do Banco Master.

Embora a compra de ações em si não constitua crime, a Polícia Federal decidiu abrir o inquérito para investigar por que a aquisição não foi realizada de forma direta e facilmente rastreável. Segundo as suspeitas, os três investidores aparentemente utilizaram terceiros, pulverizando a compra por meio de vários fundos.

Conexões com o caso Master

De acordo com as informações recebidas pela PF, os novos dados indicam uma coincidência entre pessoas e fundos envolvidos nas aquisições de ações do BRB e aqueles que participaram das operações suspeitas entre o Banco de Brasília e o Master, entre 2024 e 2025 – já investigadas no primeiro inquérito do caso Master.

Posicionamentos das partes envolvidas

O BRB emitiu uma nota afirmando que encontrou achados relevantes na primeira etapa do relatório e que, para proteger seus interesses, recuperar créditos e ativos, e buscar ressarcimento de prejuízos causados por agentes relacionados à Operação Compliance Zero, tem adotado diversas medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou que a compra de ações foi devidamente registrada, dentro das regras de mercado, e realizada com o objetivo de aumentar o capital regularmente aprovado pelo Banco Central. A defesa de João Carlos Mansur informou que não teve acesso aos documentos. Já a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, afirmou que só se manifestará após ter acesso aos autos desta nova investigação. O Jornal Nacional não conseguiu contato com Maurício Quadrado.

Este caso destaca a complexidade das investigações financeiras no setor bancário brasileiro, com implicações para a transparência e a governança corporativa em instituições públicas e privadas.

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