Ex-deputado Natalino Guimarães é solto após prisão por grilagem de terras em Búzios
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu conceder liberdade ao ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, ex-policial e político com base eleitoral na zona oeste do Rio. A decisão judicial foi tomada na terça-feira, dia 3, e marca uma nova etapa no caso de grilagem de terras em Búzios, na Região dos Lagos.
Natalino estava preso desde dezembro de 2024, cumprindo detenção no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, por suspeita de envolvimento em invasões de terrenos na região. Agora, ele precisará seguir rigorosas medidas cautelares determinadas pela Justiça para garantir a continuidade das investigações.
Medidas cautelares impostas pela Justiça
Com a liberdade concedida, Natalino Guimarães terá de cumprir uma série de obrigações para evitar novos riscos de infrações. As medidas incluem:
- Comparecimento periódico diante do juiz para informar e justificar suas atividades;
- Proibição de acesso ou frequência a determinados lugares, especialmente aqueles relacionados ao caso;
- Proibição de manter contato com outros suspeitos do processo;
- Obrigação de não se ausentar da comarca de residência sem autorização prévia, exceto por períodos curtos;
- Necessidade de informar ao juiz números de telefone para contato e manter o endereço atualizado.
Essas condições visam assegurar que o ex-deputado não interfira nas investigações em andamento, enquanto aguarda o desfecho do processo judicial.
Investigações sobre grilagem de terras em Búzios
A prisão de Natalino Guimarães ocorreu após denúncias de invasões de terras por grupos armados em diversos terrenos na Estrada da Fazendinha, localizada no bairro Baía Formosa, em Búzios, próximo à divisa com Cabo Frio. Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ), o grupo atuava desde 2020, utilizando práticas violentas e fraudulentas para ocupar e comercializar terrenos na região.
As investigações apontam que a quadrilha usava seguranças armados para intimidar moradores e proprietários, além de promover desmatamento em áreas protegidas e queimadas ilegais. A operação que resultou na prisão contou com o apoio da 127ª DP (Búzios) e do 14° BPM (Bangu), destacando a gravidade das acusações.
Ao chegar na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte, para prestar depoimento, Natalino afirmou sua inocência. "Sou inocente de tudo. Esses fatos não são verdadeiros. Eu quero viver a minha vida ao lado da minha família. Eu não tenho nada a ver com isso", declarou o ex-deputado, acrescentando que negava completamente qualquer crime e que não possuía empresas em Campo Grande.
Histórico criminal de Natalino Guimarães
Este não é o primeiro caso judicial envolvendo Natalino Guimarães. Em 2008, ele cumpriu pena por porte ilegal de armas e formação de quadrilha, sendo apontado pela polícia e pelo MPRJ como um dos chefes de uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio.
Em 2009, foi condenado pela Justiça junto com seu irmão, Jerônimo Guimarães, conhecido como Jerominho, por integrar a milícia denominada Liga da Justiça. Jerominho, que foi vereador do Rio de Janeiro pelo PMDB entre 2000 e 2008, foi morto em 2020 após ser baleado na Estrada Guandu do Sapé, em Campo Grande. Ele era considerado um dos fundadores da milícia e havia passado 11 anos em penitenciárias federais após ser preso em 2007.
O caso atual reforça as preocupações com a atuação de grupos criminosos em questões fundiárias no estado do Rio de Janeiro, enquanto a Justiça busca equilibrar a liberdade do acusado com a necessidade de garantir a segurança pública e a integridade das investigações.



