Quatro da mesma família mortos a tiros em projeto social no ES
Quatro da mesma família mortos a tiros em projeto social

Na tarde do último sábado (23), quatro pessoas da mesma família foram executadas a tiros em um terreno onde funciona um projeto social, no bairro Flexal II, em Cariacica, na Grande Vitória. Um quinto familiar, filho mais velho de Hélio da Silva Souza, de 41 anos, foi baleado no peito e permanece internado. A Polícia Militar prendeu dois suspeitos, Caio Mota, de 28 anos, e Daniel Inácio Schnidel Bernardo, de 31 anos, ainda no sábado à noite. Com um deles, foi apreendida uma arma que pode ter sido usada no crime, além de drogas.

Vítimas e histórico familiar

As vítimas fatais foram Hélio da Silva Souza, de 59 anos; seu filho Gean de Castro Souza, de 39 anos; o genro de Gean, o pedreiro Ruan Carlos da Silva Ribeiro; e um amigo de Ruan, Carlos Daniel Rocha dos Santos. Segundo familiares, Hélio era morador antigo do bairro, conhecido por criar cavalos e gado. Gean trabalhava com artesanato em madeira. No dia do crime, pai e filho estavam em um terreno próximo de casa para cortar uma árvore que seria usada na confecção de novas peças. O genro e o amigo foram ajudar.

Parentes relataram que a família não tinha envolvimento com atividades criminosas. “Hélio criou aqueles filhos. Nenhum deles tinha envolvimento com o crime. Pode investigar”, desafiou uma familiar. A esposa de Gean, que não quis se identificar, lembrou que ele era conhecido como “Gean Leiteiro” por ter vacas, e que cresceu no bairro cuidando de bois e cavalos com o pai.

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Motivação: conflito com traficantes

De acordo com a Polícia Militar, a principal linha de investigação aponta que as vítimas não aceitavam imposições feitas por traficantes que atuam na região. O comandante do 7º Batalhão da PM, tenente-coronel Prado, afirmou que criminosos passaram a exigir demonstrações de submissão dos moradores, algo incomum. “Normalmente, os traficantes buscam uma boa relação com a comunidade para obter informações e garantir o anonimato”, explicou. A hipótese é de que a família se opunha às ações do tráfico no local.

A polícia investiga ainda se o desentendimento entre a família e traficantes é antigo, e se já teria provocado a morte do filho mais novo de Hélio há cerca de cinco anos, pelo mesmo motivo.

Fuga e buscas

Os atiradores teriam fugido para as proximidades do campo do Apolo, área apontada pelas forças de segurança como de intensa movimentação do tráfico de drogas. A Polícia Militar informou que as buscas pelos demais envolvidos continuam. “A polícia continua na tentativa de localizar os suspeitos. Esse seria uma liderança que teria chefiado o ataque. Nós estamos saturando o local, com mais viaturas, e vamos continuar até identificarmos e prendermos os envolvidos”, afirmou o tenente-coronel Prado.

Projeto social e crianças ilesas

O crime ocorreu em um terreno baldio pertencente ao Ministério Internacional Resgatado Para Contar (MIRC Brasil), que desenvolve projetos sociais na região. O fundador e presidente, pastor Sidney Pereira de Souza e Silva, disse que a família havia pedido autorização para retirar madeira do local. “Nós tivemos uma pessoa que entrou em contato dizendo que queria cortar uma estrutura de uma árvore ali para fazer cadeiras e outros materiais, porque esta família trabalha nesta área”, explicou. No momento do crime, cerca de 50 crianças participavam de atividades do projeto social em um terreno do outro lado da rua; nenhuma ficou ferida.

Dor e pedido de justiça

Uma parente das vítimas cobrou a prisão de todos os envolvidos. “Eles destruíram a minha família. Espero que Deus pese a mão, mas que a Justiça dos homens também seja feita. Que a polícia vá em cima até prender todos os envolvidos, porque não foram dois, foram mais de dois”, desabafou. O caso é investigado pelo Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até a publicação, a polícia continuava as buscas por mais suspeitos.

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