O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia utilizou o poderoso míssil balístico hipersônico Oreshnik em um ataque em massa contra Kiev, conforme publicação no Telegram neste domingo (24). Esta é a terceira vez que o míssil, capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais, é empregado em território ucraniano. Zelensky informou que a cidade de Bila Tserkva, na região de Kiev, foi atingida pelo projétil, embora o alvo específico não tenha sido imediatamente esclarecido.
Histórico do uso do Oreshnik
A Rússia utilizou o Oreshnik pela primeira vez em novembro de 2024 contra a cidade ucraniana de Dnipro. O míssil, equipado com múltiplas ogivas, foi usado uma segunda vez em janeiro deste ano na região ocidental de Lviv. O presidente russo Vladimir Putin descreveu o Oreshnik, que significa "aveleira" em russo, como uma arma que viaja a 10 vezes a velocidade do som (Mach 10) e é capaz de destruir bunkers subterrâneos "três, quatro ou mais andares abaixo".
Putin comparou o trajeto do míssil ao de um meteorito e afirmou que ele é imune a qualquer sistema de defesa antimísseis. Ele acrescentou que vários desses mísseis, mesmo com ogivas convencionais, podem ser tão devastadores quanto um ataque nuclear.
Detalhes do ataque a Kiev
A ofensiva russa contra Kiev ocorreu durante a madrugada deste domingo, com o lançamento de mísseis e drones que sacudiram edifícios em toda a região central da capital ucraniana, incluindo áreas próximas a prédios do governo, residências e escolas. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, o ataque combinado incluiu 600 drones de ataque e 90 mísseis lançados do ar, do mar e de terra. As defesas aéreas ucranianas conseguiram destruir ou neutralizar 549 drones e 55 mísseis, enquanto cerca de 19 mísseis não atingiram os alvos.
Um míssil balístico de médio alcance foi lançado de Kasputin Yar, na região russa de Astrakhan, local habitual de lançamento do Oreshnik. Mais cedo, Zelensky alertou que a Rússia planejava usar o míssil, citando informações de inteligência dos Estados Unidos e de parceiros ocidentais. A Força Aérea não confirmou oficialmente o uso do Oreshnik, mas havia alertado para um possível lançamento.
Vítimas e danos materiais
Autoridades locais relataram que pelo menos duas pessoas morreram e 56 ficaram feridas, em números preliminares. Sirenes de ataque aéreo soaram durante toda a noite, enquanto fumaça se espalhava pela cidade. Repórteres da Associated Press ouviram fortes explosões perto do centro e de prédios do governo. O ataque continuava ao amanhecer, com expectativa de mais mísseis e drones sobre Kiev.
Danos foram registrados em 40 locais em vários distritos da capital, incluindo edifícios residenciais, conforme informou o chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, no Telegram. No distrito de Shevchenko, um prédio residencial de cinco andares foi atingido, provocando um incêndio que resultou em uma morte. Um prédio escolar foi danificado enquanto pessoas estavam abrigadas no local, segundo o prefeito Vitalii Klitschko. Supermercados e armazéns em toda a cidade também foram danificados, e várias comunidades na região de Kiev sofreram danos, de acordo com o governador regional Mykola Kalashnyk.
Relatos de moradores
Svitlana Onofryichuk, de 55 anos, moradora de Kiev que trabalha há 22 anos no mercado atingido, descreveu a noite como "terrível" e afirmou que nunca viu nada parecido em toda a guerra. "Lamento muito ter que me despedir de Kiev agora, não vou mais ficar lá, não há possibilidade. Meu trabalho acabou, tudo acabou, tudo queimou", disse ela.
Yevhen Zosin, de 74 anos, testemunhou o ataque e contou que, ao ouvir a explosão, correu para pegar seu cachorro. "Então houve outra explosão e eu e ela fomos arremessados para trás como um alfinete pela onda de choque. Nós dois sobrevivemos, ela e eu. Meu apartamento foi destruído", relatou.



