A brasileira Marina Lacerda, uma das mulheres que acusam o falecido financista Jeffrey Epstein de abuso sexual, passou a dormir com uma arma ao lado da cama após sofrer ameaças e perseguições desde que decidiu tornar público seu relato. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta segunda-feira (8).
Estado de alerta constante
Segundo a reportagem, Lacerda afirma viver em estado constante de alerta e teme que alguém invada sua casa. Atualmente, ela reside com a filha de 12 anos em um condomínio fechado nos Estados Unidos. "Tenho medo de que alguém entre na minha casa. Estou paranoica o tempo todo", declarou à agência.
As ameaças começaram logo após ela participar, em setembro do ano passado, de uma coletiva de imprensa que pedia a divulgação de documentos ligados ao caso Epstein. Em comentários publicados na internet, desconhecidos escreveram que ela seria assassinada e que deveria ter permanecido em silêncio.
Agravamento da situação
A situação se agravou meses depois, quando o nome de Lacerda apareceu dezenas de vezes em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que foram divulgados sem o devido sigilo. Nas redes sociais, ela passou a ser chamada de mentirosa e prostituta. Sua filha também foi alvo de provocações na escola, onde colegas chegaram a perguntar se ela seria filha de Epstein.
Para dificultar que estranhos descubram onde mora, a brasileira alterou o nome registrado em documentos imobiliários. Apesar do medo, ela afirma não se arrepender de ter denunciado o empresário. "Eu adoro ter quebrado o silêncio. O que veio depois disso é pura paranoia", afirmou.
Outras vítimas também sofrem ameaças
O caso de Lacerda não é isolado. A Reuters identificou ao menos 23 mulheres que relatam ter sofrido ameaças, assédio ou intimidações após denunciarem Epstein ou terem suas identidades expostas em documentos oficiais.
Uma delas é Danielle Bensky, hoje com 39 anos. A americana afirma que começou a receber ameaças violentas depois que informações pessoais suas apareceram sem tarjas nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça. Em uma mensagem enviada pelas redes sociais, um homem escreveu que a estupraria até a morte. Segundo a Reuters, o perfil exibia fotos dele segurando um fuzil.
Outra acusadora, Maria Farmer, relatou que precisou mudar de casa após desconhecidos divulgarem seu endereço na internet. Ela contou à agência que chegou a considerar o suicídio diante das ameaças constantes e do assédio sofrido desde que tornou públicas as acusações contra Epstein.
Vigilância permanente
Muitas das mulheres passaram a viver sob vigilância permanente. Algumas instalaram câmeras de segurança, contrataram proteção armada ou passaram a carregar armas, facas, tasers e spray de pimenta para se proteger.
Lacerda foi identificada como "Vítima Menor 1" na acusação federal de tráfico sexual apresentada contra Epstein em 2019. Ela afirma que tinha 14 anos quando foi abusada pelo financista, em 2002.
Epstein morreu em uma prisão de Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente considerada suicídio. Sua ex-companheira, Ghislaine Maxwell, foi condenada em 2021 e cumpre pena de 20 anos de prisão.



