O presidente chinês Xi Jinping recebeu em Pequim, com dias de diferença, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. As visitas, embora cerimonialmente semelhantes, revelaram abordagens distintas de Pequim em relação às duas potências.
Cerimônias e hospitalidade
Tanto Trump quanto Putin foram recebidos na Praça Tiananmen com guardas de honra, banda militar e crianças acenando bandeiras. Ambos tiveram reuniões a portas fechadas com Xi no Grande Salão do Povo. No entanto, Trump desfrutou de um raro passeio pelos jardins imperiais de Zhongnanhai, gesto que, segundo analistas, visava atender ao seu apreço por demonstrações públicas de respeito. Já Putin passou mais tempo com Xi no interior do palácio, visitando uma exposição fotográfica sobre as relações bilaterais e tomando chá.
Duração e frequência das visitas
Trump permaneceu na China por três dias, enquanto Putin ficou dois. A visita de Trump foi a segunda ao país como presidente; para Putin, foi a 25ª vez que esteve na China.
Mensagens divergentes
Com Trump, Xi enfatizou a necessidade de estabilidade após meses de tensões comerciais, instando o americano a ver a China como parceira, não rival. Ambos concordaram em buscar uma “relação construtiva de estabilidade estratégica”. Com Putin, Xi reforçou a parceria estratégica “sem limites”, com foco em energia e cooperação tecnológica.
Acordos firmados
China e Rússia assinaram mais de 40 acordos de cooperação, além de uma declaração conjunta que as descreve como “importantes centros de poder em um mundo multipolar”. Já com os EUA, nenhum acordo foi anunciado durante a visita; posteriormente, Washington revelou que Pequim concordou em comprar US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas e 200 jatos Boeing. Analistas destacam a ausência de um acordo formal para o gasoduto Força da Sibéria 2 entre Rússia e China, considerado um revés para Moscou.
Questão de Taiwan
Enquanto a Rússia se alinha à China, opondo-se à independência de Taiwan e apoiando a “unificação nacional”, os EUA mantêm ambiguidade estratégica e vendem armas à ilha. Xi alertou Trump que Taiwan é a questão mais sensível na relação bilateral. Trump não abordou o tema publicamente na China, mas depois chamou a venda de armas a Taiwan de “ótima moeda de troca”.



