Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revelou que, nos últimos 13 anos, apenas 5% das cidades brasileiras ficaram livres do impacto de desastres naturais ou provocados pelo homem. A pesquisa abrange o período de 2013 a 2025 e inclui eventos como enchentes, secas, rompimento de barragens e incêndios florestais.
Realidade de Itapecerica da Serra
Em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, a vendedora Alana Milhomem relata que sua casa foi alagada três vezes neste ano. "Esse ano alagou três vezes, sendo duas vezes alta, nesse nível, e uma terceira vez foi baixa, um palmo", conta. O motorista de ônibus Fábio Vignoli lembra do desespero durante as chuvas do ano passado: "Eu tava em casa sozinho, não tinha ninguém. A água veio de madrugada, pegou nós de surpresa. Terrível, cara. Você fica sem saber o que fazer". A cidade decretou situação de emergência em março de 2025. "Através do decreto, o prefeito consegue ir buscar ajuda tanto na esfera estadual quanto na federal", explica Agnes Saback, secretária de Defesa Civil.
Desastres no Brasil
O estudo da CNM aponta que, somadas, as ocorrências já provocaram mais de 3 mil mortes. Entre os desastres listados estão a pior tragédia natural do Espírito Santo em 2013, que atingiu 70% do estado; o rompimento da barragem de Mariana (MG); a seca prolongada no Nordeste; a ruptura da barragem de Brumadinho (MG); as inundações históricas no Rio Grande do Sul; os incêndios florestais no Centro-Oeste; e o tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR).
Vulnerabilidade e falta de prevenção
O levantamento mostra que a maioria dos municípios que decretaram situação de emergência ou calamidade corre risco de sofrer novamente os impactos. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, critica a falta de prevenção: "O que assusta mais exatamente é a falta de prevenção no Brasil. É a falta de uma harmonia cooperativa entre União, Estado e município, chamando a população também para se organizar". Ele defende mais investimentos em ações preventivas.
Moradores esperam soluções
Fábio Vignoli, que perdeu bens nas enchentes, não quer abandonar sua casa: "Eu ouvi várias pessoas falando assim: 'Ah, vamos embora daqui'. Eu vou embora da onde? Trabalhei, eu conquistei. Isso aqui é da minha mãe, aqui é minha irmã, aqui é eu, tem os vizinhos todos. Não tem que ir embora. Tem que melhorar o problema". A reportagem é da GloboPop.



